“Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados”
I João 4.10
Eu era apenas um garoto, ingênuo, cheio de dúvidas como qualquer colegial. Eu O amava, ou pelo menos assim acreditava. Aos poucos surgiram dúvidas, mas nunca tive coragem de colocá-las pra fora. Apenas tinha medo de que descobrissem que o “irmão” tão usado por Deus no domingo também gostaria de levar uma vida comum.
Minha dualidade incomodava, mas eu achava que no fim, todos eram assim mesmo. Era possível levar uma vida contemplando a santidade de Deus e sem fazer nada que fosse tão ofensivo e ao mesmo tempo ser apenas mais um cara quase normal.
As pessoas me estranhavam e eu tinha poucos amigos. A minha inocência em tantos assuntos “do mundo” me afastava de todos e quando tentava emitir opinião sobre qualquer assunto corriqueiro para os colegas, a possibilidade de que a conversa terminasse em escárnio público era enorme. E mesmo assim, hostilizado, eu não me importava tanto. Pra mim, as ofensas eram o preço a se pagar por alguns momentos de atenção.
Em meio a tudo isso, a igreja e seus cultos eram o refúgio certo, lugar onde eu usava uma máscara de super-herói e era querido pelo que falava e defendia com vigor. Em nenhum momento, eu estava muito certo de tudo aquilo, mas continuaria a defender cegamente, pois disto dependia o edifício de orgulho que eu erguera para mim mesmo.
Até que um dia, enquanto eu estava totalmente preso à culpa, sem saber mais onde encontrar o branco para caiar minha podridão interior, assustado, ferido, machucado e indefeso… Eu simplesmente ouvi sua voz: “Venha.” Ele me deu alívio, Ele me deu descanso.
E após oito anos ainda sou um garoto ingênuo. Por vezes, ainda uso máscara de super-herói. Por vezes tento esconder a minha podridão jogando por cima uma ou duas pás de cal. Ainda me sinto inseguro, assustado, ferido, machucado e indefeso.
Mas uma coisa me alegra, me incentiva e me traz esperança. Ele nunca se importou em saber quem eu eu era.
Ele simplesmete me aceitou.
Sim, Jesus me aceitou.